Quem seria capaz de julgar?
- Carol Bello
- 22 de jun. de 2022
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Nós mulheres fomos ensinadas através de muitas gerações que não há nada mais triste do que ser sozinha. São avós, mães, tias, irmãs e amigas que aceitam pouco para não acabar com nada. Um ciclo de violência a auto estima que não tem nem como rastrear.
A vó de Maria nunca aceitou agressão física de homem nenhum, mas já no primeiro casamento, ainda adolescente, era traída a torto e a direito enquanto cuidava de duas crianças de colo.
A mãe de Josefa a ensinou que apanhar de marido era inadmissível, mas deixava que o marido educasse espancasse sua filha. Hoje os filhos se foram e ela aceita torturas psicológicas como quem aceita um presente de dia das mães.
Das tias de Vanessa, algumas delas não tiveram sua integridade física preservada nem durante a gravidez. Pobre tia, pobre primo, da omissa sem culpa ao recém nascido cheio de hematomas.
Quem seria capaz de julgá-las? Cada uma na sua via crucis, marcada pelo machismo e pela dor que corre nas veias. Silêncio normalizado, silêncio normatizado.
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